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Investir e escalarAtualizado em 21 min de leitura

Como montar uma empresa de gestão de Airbnb

Como montar uma empresa de gestão de Airbnb: quanto cobrar, a partir de quantos imóveis a conta fecha, o que exige CRECI e o que o contrato precisa ter.

Por Equipe Anfitrione

Mesa de trabalho de uma empresa de gestão de imóveis por temporada, com laptop, caderno e chaves de apartamento penduradas em etiquetas coloridas

Parte do guia: Quantos imóveis para viver de Airbnb? A conta real

Alguém já pediu para você cuidar do apartamento dele. Você opera bem os seus, o vizinho viu, e a pergunta veio no elevador. É assim que quase toda gestora de temporada nasce no Brasil, e é aí que a conta começa a ficar diferente do que você está acostumado.

Montar uma empresa de gestão de Airbnb significa trocar de produto. Você deixa de vender diária e passa a vender margem sobre a operação de outra pessoa, numa faixa que fica entre 15% e 20% do que o imóvel fatura na gestão completa. Todo o resto do dinheiro é de quem tem a chave.

Vale separar o marketing da realidade antes de começar. Os números que circulam no nicho medem o volume de reservas de imóveis alheios, e não a receita de quem administra. Este post mostra a conta que fica embaixo disso.

Principais pontos

  • A comissão da gestão completa fica entre 15% e 20% da diária, e a base de cálculo muda a conta mais que o percentual.
  • O ponto de equilíbrio fica entre 10 e 13 imóveis para você tirar R$ 5 mil sozinho.
  • Densidade geográfica vale mais que número de imóveis: 8 no mesmo raio pagam melhor que 20 espalhados.
  • Administrar imóvel de terceiros exige CRECI, em regra, ao contrário de operar o seu.

O que uma empresa de gestão de Airbnb vende de verdade?

Ela vende serviço. Uma gestora de temporada é a empresa que anuncia no Airbnb, na Booking ou nos dois, precifica, atende o hóspede, coordena limpeza e manutenção do imóvel de outra pessoa, e fica com um percentual do que aquele imóvel faturou. O dono continua dono. O risco de vacância continua dele.

Isso muda tudo na hora de olhar números do setor. Existem quatro camadas de dinheiro empilhadas, e o nicho confunde as quatro de propósito.

O volume de reservas é tudo que passa pela gestora somando todos os imóveis administrados. O bruto do imóvel é o que uma unidade específica faturou naquele mês. A comissão da gestora é a fatia dela sobre esse bruto, cobrada como serviço prestado. E o lucro é o que sobra dessa comissão depois de imposto, software, folha e o seu próprio salário. Quando um operador anuncia faturamento no plural de imóveis alheios, está descrevendo a primeira camada, que inclui dinheiro de dezenas de proprietários diferentes. A quarta camada, a única que é sua, é uma fração pequena da primeira. Uma gestora com sessenta unidades e comissão de 15% pode movimentar R$ 300 mil por mês e ter receita própria de R$ 45 mil, da qual ainda saem imposto, equipe e estrutura. Confundir as duas pontas faz gente boa montar empresa e descobrir tarde que comprou emprego caro.

Numa diária de R$ 200, a divisão fica assim.

Quem fica com o quê numa diária de R$ 200 Exemplo ilustrativo. Mesmo com 18 por cento de gestão e 16 por cento de taxa de anfitrião, a maior parte da diária fica com o proprietário. Uma diária de R$ 200 (exemplo) 18% da gestora Proprietário: R$ 132 Gestora: R$ 36 Plataforma: R$ 32 Fonte: exemplo ilustrativo (Anfitrione)

A fatia da plataforma nesse exemplo usa a taxa de anfitrião de 16%. Ela vale no Brasil para quem conecta o anúncio a um sistema de gestão ou channel manager, o caso de praticamente toda gestora desde o fim de 2025. Quem anuncia sem integração ainda cai no modelo antigo, com 4% do anfitrião e o restante cobrado do hóspede. Isso muda o que sobra para o proprietário, e não muda a sua comissão, que incide sobre a diária.

São R$ 36 por noite vendida. Esse é o produto. Toda decisão daqui para frente existe para proteger esses R$ 36 do custo de ir até o imóvel, trocar a roupa de cama e responder o hóspede às onze da noite.

Quanto cobrar: 15%, 18% ou 20%, e sobre qual base?

A faixa praticada no Brasil vai de 15% a 20% para gestão completa, com casos acima disso em praças difíceis. As gestoras que publicam tabela confirmam o intervalo. Há quem anuncie 16% sobre a receita bruta sem taxa adicional. E há quem separe 15% para gestão só online e 20% para gestão completa, com seguro mensal cobrado à parte. Operadores que administram dezenas de unidades costumam cobrar 15%, subindo para 17% quando o imóvel está sozinho num prédio.

O detalhe que decide a conta não é o percentual. É a base de cálculo. Duas gestoras que anunciam "17%" podem ter quase um terço de diferença de receita, dependendo de três escolhas: a comissão incide sobre a diária cheia ou sobre o que a plataforma repassou? A taxa de limpeza entra na base ou fica fora? Hóspede adicional e taxa de pet contam?

Cobre sobre a diária e deixe a taxa de limpeza inteira para pagar a faxina. Assim o proprietário entende para onde vai cada linha, e você não ganha dinheiro com um item que é custo puro. A regra precisa valer igual em todo canal: reserva do Airbnb, da Booking ou fechada direto com você entra na mesma base, senão o proprietário nunca sabe qual conta você está fazendo.

Camada de serviçoComissão típicaO que a gestora entrega
Só online10% a 15%Anúncio, preço, atendimento
Gestão completa15% a 20%Online mais operação local
Completa com montagem20% a 25%Inclui mobília e enxoval

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Sobre imposto, uma correção que vale ouro em 2026: a fase de teste da reforma tributária não muda sua conta este ano. A alíquota de IBS e CBS em vigor desde janeiro é de 1% e pode ser integralmente compensada com PIS e Cofins, e quem está no Simples segue recolhendo dentro do DAS durante a transição. O que você precisa fazer agora é precificar a comissão já contando com a carga futura, não correr atrás dela depois. O detalhe do que muda para o proprietário está no nosso post sobre reforma tributária no aluguel por temporada.

Como constituir a empresa de gestão na prática?

Antes do primeiro contrato, quatro coisas precisam existir. Nenhuma delas é opcional, e a primeira surpreende quase todo mundo que vem do lado do anfitrião.

Administrar imóvel de terceiros é atividade regulada. A Lei 6.530/78 torna a intermediação de locação privativa de corretor, e o COFECI estende a exigência de registro às empresas que administram imóveis de terceiros, com responsável técnico inscrito. Os tribunais nem sempre confirmam essa extensão, e a intensidade da fiscalização varia por conselho regional. Operar o seu próprio imóvel não exige nada disso. Assumir a chave do vizinho muda a categoria da atividade, então confirme no CRECI do seu estado antes de assinar contrato.

ItemO que resolver
CNPJ e CNAEAdministração de imóveis de terceiros
RegimeSimples Nacional, anexo conforme folha
CRECIRegistro da PJ e responsável técnico
Conta bancáriaConta separada só para repasse

MEI não serve: o CNAE de administração de imóveis por conta de terceiros não está na lista permitida, então o caminho é microempresa no Simples. E a conta separada tem uma razão fiscal concreta. Se todo o bruto das diárias transita na sua conta sem contrato de mandato claro, existe risco de a Receita tratar o volume inteiro como sua receita. No modelo deste post, com dez imóveis, isso seria a diferença entre declarar R$ 91 mil de comissão por ano e R$ 504 mil de faturamento que nunca foi seu.

Vale lembrar que a gestora normalmente atua como mandatária. Quem loca é o proprietário, sob o regime de locação por temporada previsto no artigo 48 da Lei 8.245/91 para estadias de até noventa dias. Você administra em nome dele, e o contrato precisa dizer isso com todas as letras.

A partir de quantos imóveis a conta fecha?

Entre 10 e 13 imóveis para você tirar R$ 5 mil por mês fazendo tudo sozinho. Entre 16 e 21 depois da primeira contratação. A faixa existe porque a ocupação do ano fechado move o resultado mais do que qualquer outra variável.

O modelo cabe em cinco linhas. Um imóvel de diária média R$ 200, propositalmente conservadora, a 70% de ocupação vende 21 noites e fatura R$ 4.200 no mês. A comissão de 18% sobre as diárias dá R$ 756. Desse valor saem o imposto sobre a receita de serviço, cerca de 6% no anexo III do Simples, e uns R$ 50 de software de gestão e integração de canais por unidade. Sobram perto de R$ 660 por imóvel para pagar a estrutura inteira do negócio. Como os fixos de uma gestora pequena giram em torno de R$ 6.200 por mês, contando contador, apoio jurídico e um pró-labore de R$ 5.000, bastam dez unidades desse perfil para o negócio se sustentar. Troque a ocupação por 55%, mais parecida com o ano fechado na maioria das praças, e o mesmo cálculo pede treze.

O caminho da comissão de um imóvel, por mês Exemplo ilustrativo: da comissão bruta de 756 reais saem imposto e software, sobrando 661 reais para pagar estrutura, folha e lucro. De R$ 756 de comissão, o que sobra Comissão bruta R$ 756 Imposto: R$ 45 Software e canais: R$ 50 Sobra por imóvel R$ 661 Essa sobra é o que paga contador, folha e o seu salário. Fonte: exemplo ilustrativo (Anfitrione)

A primeira contratação, alguém para atendimento, custa cerca de R$ 4.250 por mês com encargos e leva os fixos para R$ 10.450. A tabela abaixo mostra o resultado nos dois cenários de ocupação.

CenárioSobra por imóvelSozinhoCom 1 contratação
OtimistaR$ 660~10~16
RealistaR$ 508~13~21

O imposto de 6% supõe que o seu pró-labore seja alto o bastante para manter a empresa no anexo III do Simples. Se você retirar pouco, o enquadramento cai no anexo V, a alíquota passa de 15%, e a sobra por imóvel encolhe perto de R$ 70. Vale conferir isso com o contador antes de definir a comissão.

Duas honestidades sobre a tabela. A primeira: em 10 ou 13 imóveis você é o atendimento, a vistoria, a conciliação bancária e o comercial ao mesmo tempo. O pró-labore de R$ 5.000 é salário de trabalho integral, e não margem de dono. A segunda: o número só vale se você conseguir atender essas unidades fisicamente, e isso depende menos da sua disposição do que do mapa.

Por que densidade geográfica vale mais que número de imóveis?

Oito imóveis no mesmo raio pagam melhor que vinte espalhados pela cidade. Essa é a decisão estratégica número um de uma gestora, e ela vem antes da tecnologia, da marca e do time.

A razão é banal e implacável: o serviço que você vende consome deslocamento. Uma faxineira que limpa apartamentos no mesmo prédio entrega quatro por dia, porque o intervalo entre um trabalho e outro é um elevador. A mesma pessoa, atendendo unidades espalhadas por bairros diferentes, entrega dois, e o resto do turno vira ônibus e espera. A sua própria vistoria obedece à mesma física, e a queda é mais brusca do que parece. Concentração também muda o que você consegue vender. Quem opera num raio curto aceita reserva de uma noite e de última hora, porque cobrir o turno extra custa minutos. Quem opera espalhado precisa exigir estadia mínima para não perder dinheiro na troca, e abre mão justamente das datas que sobram no mercado.

Produtividade por dia conforme a distância entre imóveis Exemplo ilustrativo: quanto mais concentrados os imóveis, mais limpezas e vistorias uma mesma pessoa consegue fazer num dia. Quanto uma pessoa entrega por dia 4 8 3 5 2 2 Mesmo prédio Mesmo bairro Espalhado Limpezas Vistorias Fonte: exemplo ilustrativo (Anfitrione)

Traduzido em dinheiro, uma carteira concentrada de oito imóveis bate uma carteira espalhada de vinte.

Carteira8 no mesmo raio20 espalhados
Sobra líquida das comissõesR$ 5.280R$ 13.200
Equipe necessáriavocêvocê e mais 2
Folha, fixos e deslocamentoR$ 1.600R$ 12.100
Sobra antes do seu salárioR$ 3.680R$ 1.100

Os valores são ilustrativos, mas a mecânica não é. A carteira espalhada fatura duas vezes e meia mais em comissão e entrega menos de um terço no fim, porque vinte unidades em bairros diferentes exigem gente contratada para cobrir o que a concentração resolve com um elevador. Daí sai a consequência que quase ninguém diz em voz alta: existe deseconomia de escala nesse setor. A ideia de que "com 10 imóveis eu perco e com 100 eu ganho" só funciona se as 100 unidades compartilharem custo. Espalhadas, cada uma carrega a própria logística, a própria equipe e a própria demanda.

O modelo mental correto não é hotel, é companhia aérea. Um hotel tem um endereço, um público e cem quartos iguais. Uma gestora tem cem rotas diferentes, cada uma com sazonalidade, custo e perfil de hóspede próprios. Quem trata o segundo caso como se fosse o primeiro descobre o erro na folha de pagamento.

A regra prática que sai disso é uma regra de recusa. Nem todo imóvel merece entrar.

Comissão mensal da gestora por perfil de imóvel Exemplo ilustrativo com comissão de 18 por cento: imóveis de diária baixa e ocupação baixa não pagam o próprio atrito operacional. Quanto cada perfil de imóvel te paga por mês R$ 120 a 50% R$ 324 R$ 200 a 70% R$ 756 R$ 300 a 65% R$ 1.053 R$ 450 a 60% R$ 1.458 Abaixo de R$ 500 por mês, o imóvel tende a não pagar o próprio atrito. Fonte: exemplo ilustrativo (Anfitrione)

Um imóvel de diária R$ 120 a 50% de ocupação rende R$ 324 de comissão bruta por mês. Depois de imposto e software, sobram pouco mais de R$ 250. Uma única troca de fechadura ou uma visita de emergência consome o ano inteiro daquele contrato. O piso de recusa não é universal: calcule o seu a partir do que uma visita ao imóvel custa em tempo e transporte na sua praça. Recusar esse contrato é aritmética simples. Se ele ainda fica fora do seu raio, a recusa deixa de ser dúvida.

Vale a comparação com a alternativa: alugar um imóvel para sublocar por temporada inverte esse risco, porque você fica com todo o spread e também com toda a vacância.

O contrato: quem paga o quê

Quase toda briga entre gestora e proprietário nasce de um item que ninguém definiu no primeiro mês. O contrato de gestão precisa fechar, item por item, quem coloca a mão no bolso. Essa é a divisão que funciona na maioria das operações.

ItemProprietárioGestora
Manutenção e reparospagaaciona e cobra
Enxoval e reposiçãopagacompra e repõe
Limpeza entre estadiasn/ataxa do hóspede
Dano causado por hóspedeabsorve saldoaciona cobertura
Anúncio e canaisn/amantém

Três cláusulas resolvem o resto. A primeira é o fluxo do dinheiro: você recebe das plataformas, desconta comissão e despesas, e repassa o líquido em data fixa. O caminho contrário, deixar cair na conta do proprietário e cobrar boleto depois, quebra na décima unidade. Some a isso que o Airbnb paga em lote, misturando várias reservas num crédito só, e a conciliação vira trabalho de verdade todo mês. Com Booking e reserva direta no mesmo imóvel, são mais origens de crédito para bater no mesmo fechamento.

A segunda é o bloqueio do proprietário. Ele pode usar o imóvel, e o contrato define como: uma janela de aviso de 30 a 60 dias e um teto de noites por ano. Reserva já confirmada não cai, porque o cancelamento penaliza o anúncio que você construiu.

A terceira é a saída. Defina aviso prévio e, principalmente, de quem fica o anúncio com o histórico de avaliações. Se o anúncio está na conta do proprietário, você passou dois anos construindo reputação que sai pela porta com ele. Antes de assinar qualquer coisa, confirme também se a convenção do prédio permite a atividade, porque o condomínio pode restringir a locação por temporada e isso não é problema seu para descobrir depois.

De onde vêm os primeiros clientes?

De proximidade e de prova. O padrão que se repete entre operadores brasileiros é quase monótono: o primeiro cliente é um vizinho ou um corretor local, e do primeiro saem mais três por indicação. Chega-se a dez ou quinze imóveis sem gastar um real em marketing.

CanalEsforçoQuando traz cliente
Indicaçãobaixodo 2º mês em diante
Corretor localmédio1 a 3 meses
Presença no raiocontínuodo 6º mês em diante
Anúncio pagoaltopouco previsível

O que acelera isso é presença visível na região onde você já opera. Quem administra imóveis num raio pequeno acaba sendo a pessoa que os proprietários dali veem resolvendo problema, e proprietário contrata quem parece que não vai sumir. Por isso recusar imóvel fora do raio compõe duas vezes: protege o custo e concentra a sua reputação num lugar só.

Se você ainda não tem CNPJ nem contrato, o caminho de entrada é operar como co-anfitrião em um ou dois imóveis e ver se o trabalho te serve antes de montar estrutura.

O que quebra quando você cresce?

Nada quebra de uma vez. Quebra em faixas, e dá para prever a ordem.

FaixaO que quebraO que resolve
5 a 10Limpeza e enxovalEquipe fixa e lavanderia
10 a 30Você vira gargaloProtocolo por imóvel
30 ou maisConciliação e qualidadeSistema e vistoria travada

O ponto mais subestimado é o segundo. Até dez imóveis a equipe sabe tudo de cor: a senha do portão, qual chuveiro tem manha, onde fica o registro de água. A partir de trinta, ninguém sabe de cor, e cada resposta ao hóspede depende de alguém achar a informação certa da acomodação certa. É diferente de hotel, onde os quartos são iguais.

É exatamente aí que a decisão de contratar a primeira pessoa aparece, e ela custa aqueles R$ 4.250 por mês. Antes de assumir folha, vale automatizar o que é repetitivo: o Anfitrione responde no WhatsApp as dúvidas recorrentes de cada acomodação, com a informação daquele imóvel específico, e escala para o humano o que não for padrão.

A ressalva honesta vem colada. A esmagadora maioria das mensagens de hóspede é objetiva e se resolve com informação. A minoria restante é subjetiva, e é justamente ela que decide a avaliação. Automação que responde os 2% com tom alegre no dia em que o hóspede teve um problema sério estraga uma estadia inteira. A régua é simples: automatize informação, mantenha gente para julgamento. Para a parte física da operação, o mesmo raciocínio vale ao montar a equipe local.

Quando não montar a empresa

Para muita gente, cinco imóveis como co-anfitrião pessoa física pagam mais que vinte com CNPJ, CRECI e folha. Vale dizer isso sem rodeio, porque o nicho inteiro empurra na direção contrária.

A gestora funciona quando quatro condições aparecem juntas: imóveis concentrados num raio pequeno, camada de serviço definida em contrato, base de cálculo da comissão sem ambiguidade, e um piso de recusa que você respeita mesmo quando o mês está fraco. Faltando densidade, você está comprando trabalho ao preço de margem fina. Faltando contrato claro, está comprando briga.

Também não monte se o plano depende de renda garantida ao proprietário. Prometer valor fixo transfere a vacância inteira para você, e o compromisso cresce junto com a carteira. Numa queda de demanda, isso vira prejuízo mensal em todos os contratos ao mesmo tempo, e capital em caixa apenas adia o problema.

Então, dá para viver de gestão de Airbnb? Dá. A conta fecha em torno de dez a treze imóveis para o primeiro salário e recomeça a apertar na primeira contratação, o que é normal em qualquer negócio de serviço. O que não fecha é a versão contada nos números grandes, onde faturamento de imóvel alheio vira renda de quem administra.

Comece por um raio, não por um alvo de imóveis. O resto se resolve com contrato bem escrito e uma planilha que você atualiza toda semana.

Perguntas frequentes

Preciso de CRECI para administrar o Airbnb de outra pessoa?

Na leitura predominante, sim. A Lei 6.530/78 torna a intermediação de locação privativa de corretor, e o COFECI estende a exigência de registro às administradoras de imóveis de terceiros. Os tribunais nem sempre confirmam essa extensão. Imóvel próprio não exige nada disso. Confirme no CRECI do seu estado.

MEI serve para abrir uma gestora de temporada?

Não serve. O CNAE de administração de imóveis por conta de terceiros não está na lista de atividades permitidas ao MEI. O caminho usual é abrir uma microempresa no Simples Nacional, com contador definindo o anexo conforme a folha de pagamento. Confirme o enquadramento antes de assinar o primeiro contrato.

O proprietário pode usar o imóvel enquanto está sob gestão?

Pode, e o contrato precisa dizer como. O padrão de mercado combina uma janela mínima de aviso, entre 30 e 60 dias, e um teto de noites por ano. Reserva já confirmada não cai por bloqueio do proprietário, porque o cancelamento penaliza o anúncio e a gestora responde pela reputação.

A gestora responde por dano causado por hóspede?

Depende do que o contrato define. Na prática, a gestora aciona a cobertura da plataforma e o depósito de segurança, e o proprietário absorve o que sobra do desgaste natural. Deixar esse item em aberto é a causa mais comum de briga entre gestora e proprietário no segundo ano de contrato.

Vale a pena oferecer renda garantida ao proprietário?

Raramente. Garantir um valor fixo transfere todo o risco de vacância para a gestora, que passa a pagar o proprietário em mês fraco sem ter recebido diária. Em queda de demanda, esse compromisso vira prejuízo direto e escala junto com a carteira. Prefira comissão sobre o que de fato entrou.

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